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História

Cheguei do Haiti sem contato nenhum e comecei a importar da China com um celular

Por Steven Zai28 de agosto de 20267 min de leitura
Vista aérea de terminal de contêineres
Vista aérea de terminal de contêineres

Não tinha contato de fornecedor, não tinha capital e não conhecia ninguém do ramo. Tinha um celular. Esse é o caminho que eu percorri, do jeito que foi.

O que você vai levar daqui

Por que comecei por produto leve e barato, e não por item caro.

Como opero em três marketplaces e por que não fico em um só.

O método em seis passos, feito inteiro pelo celular.

O que 'sem burocracia' significa de verdade — e o que não significa.

1. Cheguei sem conhecer ninguém do ramo

Sou haitiano. Vim para o Brasil e comecei do zero — sem contato de fornecedor, sem capital, sem ninguém para explicar como as coisas funcionam aqui. Falava mal o português e não conhecia uma única pessoa que trabalhasse com importação.

O que eu tinha era um celular e tempo para tentar. Foi com isso que comecei, e é por isso que eu insisto tanto em dizer que dá para começar pequeno: eu não tenho uma história de quem tinha estrutura. Tenho a de quem foi montando enquanto vendia.

O que me travava no começo

A mesma coisa que trava todo mundo: eu via o preço na China e não entendia por que não conseguia comprar. O produto estava ali, o valor estava ali, e mesmo assim não dava. Levei tempo até entender que o problema não era eu — era que aquele mercado não foi feito para quem está de fora.

2. Por que produto leve e barato

Essa foi a decisão que mudou tudo, e não foi sorte: foi conta. Produto leve custa pouco para trazer, e produto barato deixa você errar sem quebrar.

Quem começa querendo importar item grande e caro aposta alto no primeiro pedido. Se errar o produto, errou meses de trabalho. Com produto leve e barato, um erro custa pouco e ensina rápido — e você faz esse teste várias vezes até acertar. O frete internacional cobra pelo espaço que a carga ocupa, então item pequeno e denso é o que melhor sobrevive à conta. Isso está detalhado em quanto custa importar de verdade.

[ Aqui entra sua foto real: a pilha de encomendas prontas para envio ]

3. Os três canais, e por que não escolhi um só

Comecei vendendo em marketplace porque ali o cliente já está — você não precisa construir audiência antes de vender. Hoje opero em Shopee, Mercado Livre e TikTok Shop, e a razão de manter os três é simples: cada canal tem seu público e seu ritmo, e nenhum deles é seu.

Quem depende de um canal só fica refém dele. Mudou a regra, mudou a comissão, suspendeu a conta — e acabou. Três canais é seguro; e é por isso que, quando eu monto operação para alguém, a pergunta não é "qual marketplace", é "quantos".

[ Aqui entra seu print real: painel de vendas do marketplace ]

4. O método: tudo pelo celular

Não tenho escritório de importação, não tenho equipe grande, não tenho galpão. Opero pelo celular. Isso não é frase de efeito — é o processo real:

  1. Vejo o que já vende no próprio marketplace: quantos vendem, quantas vendas, por quanto. Se não vende, não interessa, por mais barato que seja.
  2. Busco a origem pela imagem, não pelo nome. Foto do produto na busca por câmera devolve quem fabrica, sem depender de idioma.
  3. Faço a conta do custo posto antes de qualquer compra: produto, frete, tributo, serviço, entrega. É esse número que decide, não o preço da peça.
  4. Peço amostra. Sempre. É o teste mais barato que existe e o mais pulado.
  5. Compro e recebo na China, num endereço que confere a mercadoria antes de ela viajar.
  6. A carga chega no meu endereço e eu anuncio. Sem escritório, sem burocracia de importador, sem estrutura pesada.

Esse é o caminho inteiro, e é o mesmo que está explicado em como comprar sem burocracia.

5. O que eu chamo de "sem burocracia"

Preciso ser claro, porque essa frase é usada errado por muita gente. Sem burocracia não significa fugir de imposto, subdeclarar valor ou dar jeitinho. Significa não precisar montar estrutura de importador para fazer o seu primeiro pedido.

Declarar certo é o que protege a sua operação. Carga retida custa muito mais do que o tributo que alguém tentou evitar — e quem faz isso uma vez costuma perder o produto e o cliente junto. O que dá para simplificar é o processo: começar pequeno, com ponta na China, sem CNPJ de importador e sem contêiner.

6. Onde eu estou hoje

Continuo importando e vendendo desde 2022. Nesse caminho eu montei operação, quebrei a cara algumas vezes, aprendi a calcular antes de comprar e a reconhecer fornecedor sério. Hoje também ajudo outras pessoas a fazerem o mesmo — encontrando a origem de um produto, estruturando a importação ou colocando a loja no ar.

[ Aqui entra sua foto: você na operação, ou a etiqueta de despacho ]

7. O que eu diria para quem está começando agora

01
Não espere ter muito dinheiro. Espere ter a conta certa. Começar pequeno com o número na mão vale mais que começar grande no escuro.
02
Valide antes de comprar. O produto que você acha lindo não é necessariamente o que vende.
03
Não pule a amostra. Nunca.
04
Aprenda a conta, não o atalho. Atalho quebra; conta se repete.
05
Comece. Eu não sabia nada quando cheguei. O que eu tinha era disposição para tentar e cuidado para não apostar tudo de uma vez.

Perguntas frequentes

Dá para importar da China começando pequeno?

Dá, e é por onde eu recomendo começar. Produto leve e barato permite testar com pouco dinheiro, errar sem quebrar e repetir até acertar. O primeiro pedido é pesquisa paga, não estoque.

Precisa de estrutura para importar?

Para o primeiro pedido, não. O que você precisa é de uma ponta na China que receba, confira e envie. Estrutura de importador faz sentido quando o volume justifica, não antes.

Dá para fazer tudo pelo celular?

A pesquisa, a validação, a conversa com fornecedor e o acompanhamento, sim. Eu opero assim. O que não dá é pular a conta de custo e a amostra.

Vender em qual marketplace?

Eu mantenho três: Shopee, Mercado Livre e TikTok Shop. Cada um tem público e ritmo diferentes, e depender de um só é risco: mudou a regra ou suspendeu a conta, acabou.

Sem burocracia quer dizer sem pagar imposto?

Não, e essa confusão custa caro. Declarar corretamente é o que protege a operação; carga retida custa mais do que o tributo que se tentou evitar. O que se simplifica é o processo, não a lei.

Você ensina esse método?

Sim. O caminho completo está no curso, e para quem prefere que eu execute junto, também faço a pesquisa de origem e a estruturação da operação.

Conclusão

Não existe segredo no que eu faço: existe ordem. Validar antes de comprar, calcular o custo posto, pedir amostra, conferir antes de embarcar e não depender de um canal só. Foi isso que me tirou do zero.

Se eu comecei sem contato, sem capital e sem falar bem a língua, o seu ponto de partida provavelmente é melhor que o meu foi.

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