História
Cheguei do Haiti sem contato nenhum e comecei a importar da China com um celular

Não tinha contato de fornecedor, não tinha capital e não conhecia ninguém do ramo. Tinha um celular. Esse é o caminho que eu percorri, do jeito que foi.
Por que comecei por produto leve e barato, e não por item caro.
Como opero em três marketplaces e por que não fico em um só.
O método em seis passos, feito inteiro pelo celular.
O que 'sem burocracia' significa de verdade — e o que não significa.
1. Cheguei sem conhecer ninguém do ramo
Sou haitiano. Vim para o Brasil e comecei do zero — sem contato de fornecedor, sem capital, sem ninguém para explicar como as coisas funcionam aqui. Falava mal o português e não conhecia uma única pessoa que trabalhasse com importação.
O que eu tinha era um celular e tempo para tentar. Foi com isso que comecei, e é por isso que eu insisto tanto em dizer que dá para começar pequeno: eu não tenho uma história de quem tinha estrutura. Tenho a de quem foi montando enquanto vendia.
A mesma coisa que trava todo mundo: eu via o preço na China e não entendia por que não conseguia comprar. O produto estava ali, o valor estava ali, e mesmo assim não dava. Levei tempo até entender que o problema não era eu — era que aquele mercado não foi feito para quem está de fora.
2. Por que produto leve e barato
Essa foi a decisão que mudou tudo, e não foi sorte: foi conta. Produto leve custa pouco para trazer, e produto barato deixa você errar sem quebrar.
Quem começa querendo importar item grande e caro aposta alto no primeiro pedido. Se errar o produto, errou meses de trabalho. Com produto leve e barato, um erro custa pouco e ensina rápido — e você faz esse teste várias vezes até acertar. O frete internacional cobra pelo espaço que a carga ocupa, então item pequeno e denso é o que melhor sobrevive à conta. Isso está detalhado em quanto custa importar de verdade.
3. Os três canais, e por que não escolhi um só
Comecei vendendo em marketplace porque ali o cliente já está — você não precisa construir audiência antes de vender. Hoje opero em Shopee, Mercado Livre e TikTok Shop, e a razão de manter os três é simples: cada canal tem seu público e seu ritmo, e nenhum deles é seu.
Quem depende de um canal só fica refém dele. Mudou a regra, mudou a comissão, suspendeu a conta — e acabou. Três canais é seguro; e é por isso que, quando eu monto operação para alguém, a pergunta não é "qual marketplace", é "quantos".
4. O método: tudo pelo celular
Não tenho escritório de importação, não tenho equipe grande, não tenho galpão. Opero pelo celular. Isso não é frase de efeito — é o processo real:
- Vejo o que já vende no próprio marketplace: quantos vendem, quantas vendas, por quanto. Se não vende, não interessa, por mais barato que seja.
- Busco a origem pela imagem, não pelo nome. Foto do produto na busca por câmera devolve quem fabrica, sem depender de idioma.
- Faço a conta do custo posto antes de qualquer compra: produto, frete, tributo, serviço, entrega. É esse número que decide, não o preço da peça.
- Peço amostra. Sempre. É o teste mais barato que existe e o mais pulado.
- Compro e recebo na China, num endereço que confere a mercadoria antes de ela viajar.
- A carga chega no meu endereço e eu anuncio. Sem escritório, sem burocracia de importador, sem estrutura pesada.
Esse é o caminho inteiro, e é o mesmo que está explicado em como comprar sem burocracia.
5. O que eu chamo de "sem burocracia"
Preciso ser claro, porque essa frase é usada errado por muita gente. Sem burocracia não significa fugir de imposto, subdeclarar valor ou dar jeitinho. Significa não precisar montar estrutura de importador para fazer o seu primeiro pedido.
Declarar certo é o que protege a sua operação. Carga retida custa muito mais do que o tributo que alguém tentou evitar — e quem faz isso uma vez costuma perder o produto e o cliente junto. O que dá para simplificar é o processo: começar pequeno, com ponta na China, sem CNPJ de importador e sem contêiner.
6. Onde eu estou hoje
Continuo importando e vendendo desde 2022. Nesse caminho eu montei operação, quebrei a cara algumas vezes, aprendi a calcular antes de comprar e a reconhecer fornecedor sério. Hoje também ajudo outras pessoas a fazerem o mesmo — encontrando a origem de um produto, estruturando a importação ou colocando a loja no ar.
7. O que eu diria para quem está começando agora
Perguntas frequentes
Dá para importar da China começando pequeno?
Dá, e é por onde eu recomendo começar. Produto leve e barato permite testar com pouco dinheiro, errar sem quebrar e repetir até acertar. O primeiro pedido é pesquisa paga, não estoque.
Precisa de estrutura para importar?
Para o primeiro pedido, não. O que você precisa é de uma ponta na China que receba, confira e envie. Estrutura de importador faz sentido quando o volume justifica, não antes.
Dá para fazer tudo pelo celular?
A pesquisa, a validação, a conversa com fornecedor e o acompanhamento, sim. Eu opero assim. O que não dá é pular a conta de custo e a amostra.
Vender em qual marketplace?
Eu mantenho três: Shopee, Mercado Livre e TikTok Shop. Cada um tem público e ritmo diferentes, e depender de um só é risco: mudou a regra ou suspendeu a conta, acabou.
Sem burocracia quer dizer sem pagar imposto?
Não, e essa confusão custa caro. Declarar corretamente é o que protege a operação; carga retida custa mais do que o tributo que se tentou evitar. O que se simplifica é o processo, não a lei.
Você ensina esse método?
Sim. O caminho completo está no curso, e para quem prefere que eu execute junto, também faço a pesquisa de origem e a estruturação da operação.
Conclusão
Não existe segredo no que eu faço: existe ordem. Validar antes de comprar, calcular o custo posto, pedir amostra, conferir antes de embarcar e não depender de um canal só. Foi isso que me tirou do zero.
Se eu comecei sem contato, sem capital e sem falar bem a língua, o seu ponto de partida provavelmente é melhor que o meu foi.
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